Era nosso último encontro. Você sabia, e mesmo não acreditando, eu sabia também. Aquela sería a ultima vez que riríamos dos casalzinhos que passavam na frente daquele barzinho que costumávamos frequentar. Era a ultima vez também que dividiríamos aquela vodka e o puta dor de cabeça do dia seguinte. Sei que não vou conseguir apreciar uma vodka como apreciava estando ao seu lado. Acho que sabemos quando algo chega ao fim. Acho que sexto sentido alerta dizendo : já deu, acabou. Já era. The end. O nosso alerta já soava fazia dias, mas é difícil você largar um vicio assim de uma outra para outra. Um vicio, isso que você era para mim. Eu mim viciei em te ter por perto, em sentir teu cheiro antes de dormir, em sentir sua presença em minha cama. Em ter você sempre comigo. Pior que mim viciar em você, fui mim acostumar com sua presença. Odeio esse fato de ter mim acostumado a você, eu lhe amava tanto.
Naquela noite, antes de pedirmos a saideira, nossos olhares se cruzaram como se soubéssemos que tinha acabado. Por mais que tentássemos não conseguirmos reescrever a parte bonita dessa nossa história. Então tomamos aquela ultima dose e resolvemos levantar, não só para ir para casa. Mas também para voltar para a vida que tínhamos antes de nos conhecer. Saímos do barzinho, e de nossa vida também, e era isso que doía tanto. Eu não tinha noção de como tudo seria dali para frente, não imaginava nada sem você. Mas eu não poderia continuar a insistir em uma relação acabada. Você já tinha desistido.
Aquela era a primeira vez que eu saia tendo a certeza que eu tinha feito a coisa certa. Mesmo doendo, afinal não é fácil você abrir mão de uma coisa que você tanto quis e lutou para ter. Meu coração estava tranquilo demais para se arrepender de alguma atitude naquele momento. Eu estava indo por inteira, sem deixar migalhas para trás. Nesses anos, amadurecemos o suficiente para acabar sem gritos, acusações, sem sentimentos ou magoas. Tivemos um ponto final digno de uma história inacabada. Acabamos da melhor forma, porque eramos inteligentes o suficientes para saber a hora de partir.
Você pediu a conta e meu corpo estremeceu. Meu Deus, o que eu faria depois de atravessar a rua? O que seria de minha vida dali para frente? Eu saberia amar outro alguém? Eu conseguiria viver sem saber se algum dia voltaríamos juntos aquele barzinho? Conseguiria. Eu sabia que conseguiria. Apesar do medo, da angustia, do sentimento, da ferida aberta no peito, apesar de você, apesar de nós, eu viveria feliz, como sempre vivi. Eu saia bem mais forte do que quando cheguei em você, cheia de cicatrizes de amores antigos e feridas abertas.
A madrugada chegou, levantamos da mesa sem dar as mãos. Fomos para casa, sem dizer uma palavra, você arrumou suas malas. Eu fiquei, mas sentia como se tivesse indo também. Não houve uma '' grande'' despedida, você veio até a mim, com as malas na mão, pegou meu rosto e deu um beijo demorado em minha testa. Sem querer, deixei uma lágrima cair; porque comodidade ou não, você era muito especial. Antes de bater a porta, você olhou e disse: '' Vá ser feliz, viva sua vida, só não deixe nenhum idiota machucar seu coração. ''
Eu não disse, mas eu desejava o mesmo, amor. O mesmo.