O dia tinha sido fantástico e no final da noite eu quase adormecia em teus braços, seu abraço era quente e aconchegante, e naquele momento eu tive a certeza : eu nasci pra morar aqui. Os seus braços, o melhor abraço. E ai, antes que eu pudesse racionar ou mediar o poder que as palavras tem com a voz rouca e olhos fechados eu disse: eu amo você.
Você não responder, nem se quer se moveu.
Não soube se ouviu ou se ainda não me amava. Adormeci mesmo sabendo que estava mim metendo numa enrascada, talvez a maior da minha vida. Mas eu achava que valia a pena, afinal eu amava você. Eu estava feliz não só por estar com você naquele momento, mas por assumir isso e em voz alta.
Eu te amava.
Eu me entreguei pra você naquela noite. Embrulhei meu coração num papel vermelho com uma frase surrada e deixei do lado de sua cama depois de uma noite de amor. Pra você pegar e sentir todo meu amor logo ao despertar.
Você acordou, e não disse '' eu te amo ''. Tomamos banho, descemos pra tomar café e nem um '' eu também '' ouvi sair de sua boca. Saímos, nos beijamos, fomos para cama mais uma , duas , três vezes e nada dele aparecer. Os dias passaram e ele continuou a não dar as caras, eu já havia aprendido que não se deve esperar nada em troca. Mas você era o cara que depois de uma briga me beijava como se não houvesse amanhã. Você era aquele cara que sempre voltava pedindo pra abrir a porta e jurava que lá fora não existia ninguém melhor que eu. Foi você, o cara que me fez trair pela primeira vez, que me transformou na melhor amante mesmo eu julgando a traição. Era você o cara, e eu achei que podia te amar com calma e leveza.
Mesmo assim outros '' eu te amo '' insistiram em sair , mas eu tranquei a boca, os engoli, tranquei o coração. Esmaguei aqui dentro todo e qualquer sentimento, deixei você me amar de volta. O seu '' eu te amo'' saiu uma noite qualquer, depois de mais uma das várias brigas que tivemos, ele surgiu quando eu não esperava, pulei em seus braços, crente que tinha pulado no abismo; mas enfim, você foi meu paraquedas.
Hoje, aqui deitada na cama que era nosso abrigo eu não me arrependo de ter dito que te amava. Nem da primeira, nem das centenas de vezes que assumi isso. E olhei que eu gritei, escandalizei, mostrei ao mundo que te amava.
Mas hoje sei que assumir que te amar não foi nada...
Ruim mesmo foi ter te amado.
E ver onde tudo acabou.
Tainá Montenego
Hoje, aqui deitada na cama que era nosso abrigo eu não me arrependo de ter dito que te amava. Nem da primeira, nem das centenas de vezes que assumi isso. E olhei que eu gritei, escandalizei, mostrei ao mundo que te amava.
Mas hoje sei que assumir que te amar não foi nada...
Ruim mesmo foi ter te amado.
E ver onde tudo acabou.
Tainá Montenego


